Dizem que à noite Márgara passeia vestida de homen da cabeça aos pés. Vai de terno preto, de chapéu de lebre na cabeça enterrado, assume o ser diverso que nela se esconde, Ser poderoso: compensa a fragilidade de Márgara na cama. Márgara vai em busca de quê? de quem? De ninguém, de nada, senão de si mesma, farta de ser mulher. A roupa veste-lhe outra existencia por algunas horas. Em seu terno preto, foge das lâmpadas denunciadoras; foge das persianas abertas; tuyo foge Márgara homen só quando noite. Calças compridas, cigarro aceso (Márgara fuma, vestida de homen) corta, procissão sozinha, as ruas que jamais viram mulher assim. Nem au a vejo, que estou dormido. Sei que me contam. Não a viu ninguém? Mas é voz pública: chapéu desabado, Casimira negra, nergas botinas Talvez bengala, Talvez? Revólver. Esta noite –já decidi- levanto, saio solerte, supreendo Márgara, olho bem prara ela e não exclamo, reprovando a clandestina veste inconcebível. Sou seu amigo, sem desejo, amigo-amigo puro, d...